‘Acabamos de nos mudar para uma ilha deserta que nunca havíamos visitado antes’

Alex e Buffy pisaram na ilha pela primeira vez depois de uma viagem de balsa em uma van com seus pertences

Alex e Buffy pisaram na ilha pela primeira vez depois de uma viagem de balsa em uma van com seus pertences


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É uma decisão ousada construir sua casa em um lugar novo, mas é preciso muita coragem para jogar todos seus pertences em uma van e partir para a vida em uma ilha remota que você nunca visitou.

Alex Mumford e Buffy Cracknell, um casal de Bristol, no Reino Unido, largou tudo para começar uma nova aventura vivendo e trabalhando em uma pequena comunidade na Ilha de Rum, a 50 quilômetros do continente escocês.

Em agosto, o Isle of Rum Community Trust, uma organização comunitária da ilha, fez uma chamada para aceitar novos residentes. A dupla estava entre as centenas que se inscreveram.

Agora, nesta semana, eles finalmente conseguiram chegar ao lugar sobre o qual só haviam pesquisado no Google.

Casal Buffy Cracknell e Alex Mumford

Casal Buffy Cracknell e Alex Mumford
BBC NEWS BRASIL

BBC Quatro dias depois de chegar à ilha e aprender a domar a lareira, o casal estava sorrindo

“Nós dois sempre gostamos de estar no meio do nada. Quando fomos para a Nova Zelândia no ano passado, nos demos conta de que era algo que queríamos fazer a longo prazo. Quando isso surgiu, sabíamos que seria algo de que poderíamos gostar”, disse Alex ao jornal The Nine, da BBC Scotland.

“A vida em Rum será úmida, mas também haverá muita vida em comunidade, algo pelo qual estamos ansiosos”, disse Buffy.

“A natureza, poder fazer longas caminhadas, ver muita vida selvagem e poder sair e caminhar sem ter que entrar no carro. Por ser uma comunidade pequena, haverá um aspecto legal que é conhecer todo mundo. Em Bristol, não conhecemos as pessoas.”

Rum é uma pequena ilha das Hébridas Interiores, um arquipélago da Escócia. Entre 30 e 40 pessoas moram na ilha, dependendo da época do ano e dos trabalhadores sazonais.

Apenas duas crianças frequentam a escola primária.

A vida na ilha é literalmente “fora da rede”, e pequenas hidroelétricas fornecem energia.

Por muitos anos, tem sido difícil para migrantes em potencial pensarem em se mudar para lá sem uma oferta de emprego e uma casa para onde se mudar.

‘Vida na ilha’

A comunidade decidiu mudar isso ao obter financiamento para construir quatro novas casas ecológicas com banda larga de fibra de alta qualidade no vilarejo de Kinloch, e então convidou pessoas para irem para a ilha e alugá-las.

O apelo pedia “indivíduos ou famílias interessados ​​em se adaptar ao modo de vida da ilha” e pessoas com um ofício, uma habilidade ou outro negócio que ajudasse a diversificar e fazer crescer a economia local.

Famílias com crianças foram particularmente bem-vindas, com os dois alunos ansiosos por fazer novos amigos.

Mais de 4 mil consultas e 440 solicitações sérias foram feitas.

Ilha de Rum

Ilha de Rum
BBC NEWS BRASIL

Getty Images A pequena população de Rum aumentou agora com a chegada de 14 pessoas

Quatro casais foram selecionados: três da Inglaterra e um da Escócia, com seis filhos entre eles.

O projeto, cinco anos em construção, viu três das novas famílias se mudarem nesta semana e mais uma chegar no fim de semana.

Steve Robertson, autoridade de desenvolvimento da ilha, disse: “Temos seis novas crianças, todos com menos de oito anos, o que é maravilhoso. Todos estão começando a se adaptar e as coisas estão começando a se encaixar”.

“Precisávamos desesperadamente de novas pessoas para ajudar Rum a se tornar uma ilha dinâmica e voltada para o exterior, e é ótimo ter essas pequenas faíscas brilhantes correndo por aí.”

“As novas famílias jovens desempenharão um papel crucial no futuro da ilha.”

“Existem desafios, como a balsa e o isolamento, mas há muitos aspectos positivos em viver em uma ilha.”

Trabalho duro

Alex e Buffy tentaram fazer uma visita, mas, quando começaram sua jornada para o norte, o segundo lockdown inglês foi imposto. A decisão final de se mudar foi baseada, então, em muitas pesquisas na internet.

Alex disse: “Durante o confinamento, ficamos presos no apartamento de Bristol pensando que deveríamos fazer mais na vida do que só isso. E encontramos a oportunidade de viver em um lugar como este, e simplesmente a abraçamos isso”.

“A vida é curta demais. Dê esse passo e vá em frente. Se não funcionar, faremos outra coisa, temos um ao outro. Trabalhamos duro e estamos abraçando isso com todo o coração.”

O casal está na ilha há menos de uma semana, e tentou estar o mais preparado possível.

Eles chegaram com 27 latas de feijão e 12 latas de tomate pelado.

Alex, que trabalha com crianças, espera conseguir um emprego na escola e participar em uma nova creche no próximo ano. Buffy continuará seu trabalho com criação de conteúdo, sites e marketing.

Ambos estão se preparando para transformar seus hobbies — cozinhar e tricotar — em formas de gerar renda.

E o plano a longo prazo é contribuir para as escolas de outra forma — com filhos.

“Acho que seria em um lugar como esse que teríamos filhos — se os tivermos. Estamos pensando no longo prazo. Esperamos que essa seja uma mudança a longo prazo”, disse Alex.

Buffy concorda: “Agora que estamos aqui, sabemos o que precisamos fazer e o que podemos fazer. Não estamos preparados para os mosquitos ainda, mas temos tempo”.

Ela ainda está maravilhada com o novo ambiente.

“Agora há literalmente dois veados a cerca de 100 metros da minha janela”, disse.

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