Mulheres ampliam seu espaço na mineração chilena

Durante muitos e muitos anos, a mineração, uma das atividades econômicas mais importantes do Chile — maior produtor de cobre do mundo — foi um território exclusivo dos homens. Pouco a pouco, essa situação vem mudando e agora muitas mulheres já conseguem obter posições de destaque no setor

Segundo um estudo, a participação feminina na mineração, que foi proibida por lei até 1997, ainda é de apenas 8,4% da força de trabalho, mas vem se ampliando. Em 2012, por exemplo, era de 7,1%. Em outros países, como Austrália e Canadá, esse percentual beira os 20%

A mineração representa mais de 10% do PIB chileno, é o motor da economia e ocupa um papel central na recuperação do país, em crise por conta da pandemia de covid-19. Calcula-se que, até 2023, cerca de 30 mil postos serão abertas na indústria e a presença feminina será essencial, inclusive para fornecer mão de obra qualidicada

Em El Teniente, a maior mina subterrânea de cobre do mundo, que fica 85 km ao sul de Santiago e pertence à empresa estatal Codelco, já são várias ocupando os mais diversos cargos

Cesia Barraza comanda diariamente uma escavadeira de 7 metros de comprimento com capacidade para levantar toneladas de pedras. “A mina é como um monstro, mas pode ser dominada”, diz ela, a primeira mulher a operar no sexto nível subterrâneo de El Teniente

Uma das pioneiras da área, Evelyn Jiménez atualmente é supervisora do Centro Integrado de Operações de Mineração em El Teniente e reconhece seu papel transformador em quase duas décadas na indústria. “Acabei vivendo uma mudança de gerações, comecei com trabalhadores muito antigos e precisei de muito trabalho para me integrar. Na época, esta era uma profissão 100% machista”, relembra

Para Natália Zuñiga, 32, que é chefe de extração em um dos setores em El Teniente, o aumento do número de mulheres é inevitável, especialmente por conta da automatização da mineração

O principal problema ainda é com assédio. De acordo com um estudo, cerca de 98% das funcionárias dizem já ter sofrido algum tipo de assédio sexual, desde comentários indecorosos até violência física

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